Casos de homens violados pelas próprias mulheres aumentam em Manica
O número de homens violados e agredidos pelas próprias mulheres na província moçambicana de Manica, no centro do país, "aumentou significativamente" nos últimos anos, com quase 200 casos só este ano, disse hoje à Lusa fonte policial.
De Janeiro a Março de 2009, segundo a mesma fonte, 185 queixas deram entrada no Gabinete de Atendimento à Mulher e Criança Vítimas da Violência Doméstica (GAMCVD), ligado à Polícia da República de Moçambique (PRM). No mesmo período em 2008, 155 homens denunciaram maus-tratos perpetrados pelas suas mulheres, que resultaram em agressões físicas, violência sexual, expulsão de casa e submissão a trabalhos forçados.
A violência contra os homens é justificada essencialmente como uma "forma de controlo e de demarcação de limites, de fixação dos comportamentos e de atitudes", afirmou a fonte. "Muitos homens têm-se queixado da violência doméstica protagonizado pelas suas mulheres. Eles denunciam os casos quando já estão fartos da convivência coerciva no lar", explicou à Lusa Paciência Nhampimbe, chefe do GAMCVD em Manica.
No entender da responsável, as mulheres não conseguem expressar os seus sentimentos em resposta à violência dos homens, e "por isso é que na maioria dos casos registados as mulheres reagem em retaliação à violência antes cometida pelo homem". "Mas infelizmente as mulheres acabam sendo agressivas demais", frisou.
A responsável explicou que "os efeitos da tensão entre os direitos humanos universais e o relativismo cultural local fazem-se sentir no quotidiano de muitos homens em Manica". Paciência Nhampimbe referiu que a cultura leva a que à mulher seja ensinada a obediência, a dedicação à família, enquanto que no homem há "uma masculinidade hegemónica que é construída a partir do controlo das mulheres". Porém, adianta, hoje a realidade é outra e "as mulheres recorrem à violência contra o homem como forma de resolução de conflitos ao nível do casal".
Um exemplo é o caso de Ernesto D., 37 anos, agredido fisicamente pela mulher, com quem vive há 16 anos, que o acusou de estar a traí-la e por isso chegar tarde a casa. "Tínhamos uma convivência pacífica, mas num belo dia, do nada, transbordou a relação pelo facto de ter chegado tarde em casa. Parei na cirurgia do Hospital Provincial de Chimoio, porque sofri escoriações e fracturas", contou.
Segundo os números de queixas do GAMCVD, as mulheres continuam as mais sensibilizadas para denunciar casos de violência doméstica nos lares em Manica. No primeiro trimestre de 2008 deram entrada 315 casos de violência contra mulheres, contra os 439 registados no mesmo período de 2009.
A Constituição moçambicana confere direitos e deveres iguais entre homens e mulheres, embora o poder sócio-cultural dos homens minimize em muitos casos os direitos das mulheres. O GAMCVD, em parceria com os líderes comunitários, tem feito campanhas de sensibilização de boas práticas de convivência social junto as comunidades, muitas vezes em reuniões de bairro e palestras sob a forma de teatro.
Lusa, hoje às 12:21
Já não se fazem homens como antigamente, agora até já apanham das mulheres...